A DOUTRINA DA REPROVAÇÃO ATIVA
A reprovação ativa constitui o aspecto negativo da doutrina da predestinação divina. Assim como na eleição Deus escolhe, em Sua soberania, aqueles a quem Ele salvará, na reprovação Ele determina ativamente aqueles que serão condenados.
SOBERANIA DE DEUS
Raniere Menezes
2/12/20263 min read


Introdução
A reprovação ativa constitui o aspecto negativo da doutrina da predestinação divina. Assim como na eleição Deus escolhe, em Sua soberania, aqueles a quem Ele salvará, na reprovação Ele determina ativamente aqueles que serão condenados. Esta doutrina afirma que ambos os decretos — eleição e reprovação — possuem caráter individual, incondicional e ativo.
1. A Natureza Ativa do Decreto de Reprovação
Em contraste com certas formulações que propõem uma "reprovação passiva" — na qual Deus meramente "passaria adiante" dos não-eleitos, abandonando-os à própria sorte — a doutrina da reprovação ativa sustenta que Deus intervém de modo determinante no destino dos ímpios.
A reprovação passiva mostra-se insustentável diante dos atributos divinos da onisciência e da soberania absoluta. Nada ocorre fora do escopo do poder ativo de Deus. Consequentemente, é o próprio Deus quem "prepara para a destruição os vasos da ira" (Romanos 9:22), não mediante inação, mas por decreto ativo e soberano.
2. O Caráter Incondicional da Reprovação
A reprovação ativa é, por natureza, incondicional. Isto significa que a razão pela qual um indivíduo é rejeitado não reside em pecado previsto ou em qualquer característica inerente à pessoa, mas exclusivamente na vontade soberana e no beneplácito de Deus.
Deve-se distinguir aqui entre causa meritória e causa determinante: embora o pecado seja a causa meritória da punição — isto é, aquilo que torna a condenação justa — a soberania divina permanece como a causa determinante do estado de reprovação. O testemunho bíblico de Esaú e Jacó ilustra este princípio: Deus determinou o destino de ambos "antes que nascessem ou tivessem praticado bem ou mal" (Romanos 9:11), fundamentando Sua decisão não nas obras previstas, mas unicamente em Seu propósito eletivo.
3. A Operação Divina na Vontade do Reprovado
Conforme exposto por Martinho Lutero em De Servo Arbitrio, Deus move e opera mesmo nos ímpios e no próprio Satanás. Os reprovados pecam volitivamente — ou seja, suas decisões procedem de suas próprias vontades — contudo, este mesmo ato volitivo é obra da onipotência divina, trazido à existência por ela.
O caso de Faraó demonstra este princípio teológico com clareza: Deus não meramente permitiu o endurecimento do coração do monarca egípcio; antes, Ele mesmo o endureceu ativamente (Êxodo 9:12) com o propósito de manifestar Seu poder e proclamar Seu nome em toda a terra (Êxodo 9:16).
4. Deus como Autor Ontológico do Pecado
A doutrina reconhece que, no sentido metafísico ou ontológico — isto é, enquanto fonte, criador e sustentador de todas as coisas — Deus é o autor do pecado. Todavia, isto não O constitui pecador. Não há contradição lógica.
O pecado define-se como transgressão da lei. Deus, porém, é o único legislador e o padrão absoluto de justiça. Não existe norma moral externa ou superior a Ele pela qual Suas ações possam ser julgadas. Portanto, Deus é justo por definição em tudo quanto faz e decreta. Sua justiça não se conforma a um padrão externo; antes, Sua própria natureza e vontade constituem o padrão mesmo da justiça.
5. A Finalidade Teológica da Reprovação
O propósito fundamental da reprovação ativa é a glória de Deus. Por meio dela, o Criador manifesta Sua ira justa, torna conhecido Seu poder soberano e, por contraste, realça as riquezas inefáveis de Sua glória e misericórdia sobre os eleitos (Romanos 9:22-23).
A reprovação não existe como fim em si mesma, mas como meio pelo qual a plenitude dos atributos divinos — tanto Sua justiça quanto Sua misericórdia — são manifestadas de modo mais completo e glorioso.
Conclusão
Em síntese, a doutrina da reprovação ativa ensina que o destino dos perdidos não resulta de contingência, acidente histórico ou escolha humana autônoma e independente de Deus. Antes, constitui decreto deliberado, soberano e eterno do Criador, estabelecido para Seus próprios fins justos e para a manifestação plena de Sua glória.
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