A Ilusão da Eficiência 10x: Por que até os criadores da IA se sentem atrasados (e você também)
No dia 26 de dezembro de 2025, Andrej Karpathy — um dos nomes que ajudou a construir a base do mundo digital atual — fez um desabafo no Twitter que desmontou a imagem de que existe um grupo de elite "nadando de braçada" enquanto o resto se afoga.
APRENDIZAGEM
Raniere Menezes
1/7/20262 min read


Se você abre o computador hoje e sente uma ansiedade silenciosa de que "alguma coisa escapou do controle", você não está sozinho. Existe uma pressão no ar para sermos exponencialmente mais produtivos, mas a realidade do dia a dia muitas vezes parece travada.
O mais surpreendente? Até quem construiu o futuro da IA está se sentindo assim.
No dia 26 de dezembro de 2025, Andrej Karpathy — um dos nomes que ajudou a construir a base do mundo digital atual — fez um desabafo no Twitter que desmontou a imagem de que existe um grupo de elite "nadando de braçada" enquanto o resto se afoga.
Ele admitiu algo que ressoa com qualquer profissional hoje: ele nunca se sentiu tão atrasado como programador ou qualquer outra área que usa IA.
O Paradoxo da Ineficiência Percebida
O ponto central do desabafo de Karpathy toca na ferida da nossa era: a distância entre o potencial e a prática.
Karpathy afirmou que sente que poderia ser 10 vezes mais eficiente se simplesmente conseguisse integrar corretamente tudo o que surgiu no último ano. A tecnologia para esse salto quântico de produtividade existe. Ela está disponível.
Então, por que não conseguimos alcançar esse "10x" imediatamente?
A resposta dele é: a complexidade das novas camadas. Não se trata mais apenas de escrever código ou texto. Agora, lidamos com:
· Novos agentes autônomos;
· Fluxos de trabalho complexos;
· Integrações que se empilharam sobre uma base que já era complexa.
A sensação descrita é a de ter recebido uma "ferramenta alienígena poderosa, mas sem manual de instruções", tudo isso enquanto um terremoto sacode a sua profissão.
1. Antes: O valor vinha da execução direta (fazer a tarefa).
2. Agora: O valor vem de orientar, revisar, decidir e integrar.
Ninguém nos ensinou a fazer isso direito. Estamos aprendendo com o carro andando. Mudar o jeito de pensar cansa, exige desaprender velhos hábitos e aceitar errar mais no começo.
O Cérebro Odeia Transição Sem Mapa
Essa "ineficiência percebida" — saber que existe um jeito melhor, mas não dominar ele ainda — corrói nosso modo de trabalho. O cérebro humano detesta transições onde não há um mapa claro ou uma progressão previsível.
Mas aqui está a virada de chave: se sentir atrasado hoje não é sinal de incompetência, é sinal de que você ainda está no jogo.
Quem já desistiu nem sente mais nada. Se você está incomodado com a complexidade dos novos agentes e fluxos, é porque você se importa e está tentando se mover.
Conclusão: Aceite o Caos
O desabafo de Karpathy nos ensina que não existe um "topo da montanha" onde tudo faz sentido e a segurança é garantida. A segurança do passado não vai voltar.
A pergunta não deve ser "Como faço para saber tudo?", mas sim "Como aprendo a operar mesmo sem entender tudo?"
O grande diferencial deste momento histórico não será a inteligência pura, mas a tolerância ao desconforto. Não espere o manual de instruções da "ferramenta alienígena" chegar. Ele não existe. O manual é o que você está escrevendo agora, a cada tentativa e erro.
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