A Linha Tênue Entre Cessacionismo e Inferno: Você Está Blasfemando Sem Saber?

É necessário expor o perigo real de chamar obras de Deus de "fanatismo" e como a suposta busca por pureza doutrinária pode se tornar a maior armadilha da sua vida cristã.

ESTUDO BÍBLICO

Raniere menezes

1/11/20266 min read

Imagine passar a vida inteira acreditando que está defendendo a honra de Deus, apenas para descobrir no julgamento final que você estava, na verdade, insultando o próprio Espírito Santo.

Por uma década bebi da fonte envenenada de ministérios cessacionistas. E por duas décadas tento reverter o falso ensino do cessacionismo. De modo especial de cinco anos para cá tenho tentado recuperar a Missão do Atalaia de Ezequiel 33. Reconstruir é mais difícil que destruir.

Isso importa porque a sua eternidade pode depender de como você reage ao que não entende. A crítica arrogante contra manifestações espirituais não é apenas uma "opinião teológica"; pode ser o passaporte para o pecado imperdoável.

Neste artigo, você não vai encontrar panos quentes.

É necessário expor o perigo real de chamar obras de Deus de "fanatismo" e como a suposta busca por pureza doutrinária pode se tornar a maior armadilha da sua vida cristã. Que Deus lhe incomode com um temor santo que pode salvar sua alma.

A Armadilha da "Falsa Ortodoxia"

Há um texto na Internet, disseminado de tal forma que se torna impossível retirar. Escrevi há muito tempo — algumas pessoas já me questionaram qual a razão em não retirar o texto da Internet (o que é impossível). Esse texto serve para mim como um memorial de ignorância. Faz muito tempo que não o subscrevo. O blog Frases Protestantes é prova documental que não subscrevo o antigo texto de longa data.

O texto: Fanatismo e Êxtase, da Ignorância ao Misticismo por Raniere Menezes, é uma crítica ainda válida (em parte) aos erros da igreja evangélica, mas ao mesmo tempo generaliza e comete injustiça aos verdadeiros milagres e acontecimentos extraordinários do mover de Deus.

Em minha crítica ao chamar de "fanatismo", cometi um erro perigoso: Assumi que estranheza é sinônimo de falsidade. Entendia os êxtases, línguas e comoção emocional como "misticismo pagão" ou ignorância.

Mas aqui está o problema: Os fariseus fizeram exatamente a mesma coisa.

Eles eram os teólogos conservadores da época. Eles conheciam a Escritura. Eles queriam proteger o povo de "falsos messias". E, ao verem Jesus libertando pessoas com poder, disseram: "Isso é obra de Belzebu".

O resultado? Eles cometeram a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Ao rotular movimentos do Espírito como "misticismo afro-indígena" ou loucura irracional, não fui apenas crítico, caminhei à beira de um abismo teológico. Se uma pessoa fala em línguas pelo Espírito e zombo dela chamando de "fanatismo", esbofeteei o próprio Deus.

O Risco Iminente do Cessacionismo

Sugeri no artigo citado que devemos focar no intelecto, na razão e na doutrina histórica, fugindo do que eu chamava de "paralisia intelectual" dos carismáticos. Soava piedoso, não soava? Isso é o que acontece ainda hoje em muitos púlpitos.

Cuidado. Isso é veneno.

Os cessacionistas — aqueles que creem que os dons milagrosos cessaram — estão em perigo iminente. A lógica é simples: Se você decide a priori que Deus não faz mais milagres hoje, qualquer milagre real que acontecer na sua frente será classificado por você como falso ou demoníaco. Este é o ponto. Mesmo que você justifique as exceções da Soberania de Deus como justificativa.

Você se torna incapaz de reconhecer a Deus.

A rejeição dos milagres não é uma defesa da fé. É, muitas vezes, um subterfúgio para esconder a própria incredulidade. É mais fácil dizer que "Deus não faz mais isso" do que admitir que você não tem poder e sua vida de oração é estéril.

O processo para abandonar completamente o cessacionismo é lento e o prejuízo é grande.

Já parou para pensar se sua teologia é apenas uma desculpa para sua falta de experiência com Deus?

A Falácia de "Testar os Espíritos"

É comum ouvir críticos como eu fui citarem "provai os espíritos" ou alertarem sobre "falsos profetas" em Mateus 24 para justificar seu ceticismo.

Mas como você pode testar os espíritos se você nem sequer acredita nas manifestações verdadeiras?

Se o seu teste sempre dá "negativo" para qualquer coisa que envolva emoção estranha ou poder sobrenatural, seu teste está viciado.

Dizer que "Satanás também opera milagres" é a tática favorita de quem quer diminuir a importância do Espírito Santo. Sim, o diabo falsifica. Mas ele falsifica notas de cem reais, não notas de dois. Ele falsifica porque o valor real existe e é valioso.

Se o seu foco está apenas em identificar o falso, você acaba rejeitando o verdadeiro por medo, covardia e incredulidade. E ao rejeitar o verdadeiro, você se alinha com os inimigos de Deus.

Intelecto vs. Poder: O Ídolo da Razão

Eu defendia que devemos "conhecer os atributos de Deus" racionalmente em vez de buscar experiências. Criei uma dicotomia falsa entre mente e poder.

Deus não exige que uma pregação ou manifestação seja teologicamente polida e perfeita para ser genuína.

Pense nisso: Alguém pode estar pregando com emoção excessiva, talvez até com erros gramaticais ou excessos comportamentais, mas se o Espírito está ali e você ataca essa pessoa, a sua erudição não vai te salvar.

Os fariseus tinham a teologia certa sobre muitas coisas, mas perderam o Messias que estava bem na frente deles porque Ele não se encaixava em suas caixinhas teológicas. Eu me sentei na cadeira dos fariseus: julguei o poder de Deus com a régua da razão humana tão somente.

Isso não é maturidade. É arrogância espiritual disfarçada de sabedoria e zelo.

O Veredito Final

O argumento de Fanatismo e Êxtase tenta proteger a igreja da "ignorância". Mas, empurra a igreja para algo muito pior: a blasfêmia irrevogável. A blasfêmia contra o Espírito Santo.

Hoje prefiro ser chamado de "fanático" que ama a Jesus, a ser um "doutor da lei" frio que chama o fogo de Deus de fogo estranho.

A doutrina do pecado imperdoável foi dada por Jesus não para nos fazer debater, mas para nos fazer tremer. Ela serve para calar a nossa boca quando somos tentados a zombar do que não compreendemos.

O medo de ser enganado não pode ser maior do que o medo de blasfemar. Grande parte dos textos teológicos reformados sobre avivamento enfatiza o perigo das falsas experiências.

Se você vir algo estranho na igreja, algo que choca sua mente racional, aqui vai um desafio prático: Não zombe. Não julgue precipitadamente. Tema.

É melhor ficar em silêncio e estar errado sobre um fanático, do que abrir a boca e estar errado contra o Espírito Santo. A sua eternidade vale mais do que a sua necessidade de estar "certo" numa discussão teológica. Que Deus nos dê o discernimento necessário para separar o que deve ser rejeitado.

O Espírito sopra onde quer, não onde a sua teologia permite.

Os cessacionistas concentram-se nos perigos das manifestações físicas - os gritos, as quedas - como se tudo fosse apenas bagunça e desonra ao Espírito Santo. Argumentam que os fenômenos são psicológicos, mero contágio emocional... Alertam sobre o risco do autoengano, da diversão religiosa, da ilusão, do engano diabólico, da manipulação, do artificialismo, dos shows evangélicos. E afirmam que tudo isso acaba substituindo a pregação expositiva, cristocêntrica.

Mas que pregação cristocêntrica é essa que apresenta um Cristo que não cura? Uma igreja que não tem a liberdade de expor ou viver experiências de profecias, visões, sonhos, línguas, sem receber rótulos negativos. Muitas igrejas vivem como a Igreja de Sardes, aparência de viva, mas morta, apesar da boa reputação e tradição.

Não sejamos nem cínicos nem ingênuos - sejamos perspicazes. O púlpito se transformou numa sala de aula de seminário. Palestras teológicas substituíram a unção profética. Muitas igrejas combatem os ministérios de cura e libertação, como algo exclusivo de igrejas pentecostais.

Onde estão os milagres e a libertação que deveriam ser pregados - e demonstrados - nos púlpitos?

Um púlpito sem poder em nome de uma tradição está morto.

Mini-Resumo

Atribuir obras do Espírito Santo ao fanatismo ou demônios é a definição bíblica de blasfêmia.

O cessacionismo cria uma predisposição perigosa para rejeitar o agir genuíno de Deus.

A obsessão intelectual pode cegar o crente para o poder real, repetindo o erro dos fariseus.

É mais seguro tolerar excessos emocionais do que correr o risco de insultar o Espírito de Deus.

A verdadeira sabedoria não é apenas discernir o falso, é tremer diante da possibilidade de rejeitar o verdadeiro.

Para saber mais sobre o Pecado Imperdoável leia mais aqui