Arquiteto ou Jardineiro: Qual é o melhor Estilo de Escrita?

Quando falamos de fantasia épica moderna, dois nomes se destacam: Brandon Sanderson e George R.R. Martin. Embora ambos sejam extremamente bem-sucedidos, suas abordagens para a escrita não poderiam ser mais diferentes.

Raniere Menezes

12/22/20253 min read

Como seus autores favoritos criam mundos tão envolventes?

Será que eles planejam cada reviravolta antes de começar, ou deixam a história fluir naturalmente enquanto escrevem?

A resposta geralmente se resume a dois estilos fundamentais: o arquiteto e o jardineiro.

Dois Gigantes, Duas Abordagens

Quando falamos de fantasia épica moderna, dois nomes se destacam: Brandon Sanderson e George R.R. Martin. Embora ambos sejam extremamente bem-sucedidos, suas abordagens para a escrita não poderiam ser mais diferentes.

Sanderson representa o arquiteto meticuloso, com sistemas mágicos tão detalhados que poderiam preencher manuais inteiros. Martin, por outro lado, cultiva suas histórias como um jardim, permitindo que personagens e tramas se desenvolvam de maneiras completamente inesperadas.

O Que Significa Ser um Arquiteto?

O termo "arquiteto" descreve escritores que criam um projeto detalhado antes de escreverem uma única palavra. Eles conhecem o final, os principais pontos da trama e a jornada que cada personagem percorrerá. Como um construtor com as plantas espalhadas sobre a mesa, trabalham para dar vida a essa visão.

O Método Brandon Sanderson

Sanderson é famoso por sua produtividade impressionante: escreve cerca de 2 a 3 livros completos por ano. Seu processo inclui:

Esboços Extensos: Documentos que podem ter centenas de páginas, mapeando arcos de personagens, reviravoltas e momentos emocionais com antecedência.

O Método dos Três Rascunhos:

  • Primeiro rascunho (Descoberta): Coloca toda a história no papel seguindo o esboço.

  • Segunda versão (Aprimoramento): Reformula a história, adiciona partes que faltam e suaviza as arestas.

  • Terceira versão (Polimento): Trabalha com leitores e editores para aperfeiçoar cada cena.

Sistemas com Regras Claras: As famosas "leis da magia" de Sanderson garantem que o sistema mágico tenha lógica e nunca engane o leitor.

Sua rotina é igualmente disciplinada: acorda por volta do meio-dia e escreve em dois blocos de três a quatro horas cada, mantendo uma meta de cerca de 2.000 palavras diárias.

E o Jardineiro?

Jardineiros plantam uma semente — talvez um personagem, um cenário ou um conflito — e descobrem a história à medida que ela cresce. São guiados pela curiosidade, deixando a trama evoluir organicamente.

O Estilo George R.R. Martin

Martin é o jardineiro por excelência. Ele mesmo cunhou esses termos para descrever diferentes abordagens de escrita. Seu processo inclui:

Personagens em Destaque: Martin deixa que seus personagens conduzam a trama. Se fazem uma escolha surpreendente, ele a segue — mesmo que isso comprometa seus planos iniciais.

Narrativa Rica e Orgânica: Seus mundos são profundos e complexos porque ele dedica tempo a explorar cada canto. É por isso que Westeros parece tão vivo.

Abraçando o Desconhecido: Como escritor intuitivo, Martin acredita que a descoberta mantém a história interessante tanto para o escritor quanto para o leitor. Se ele souber exatamente o que vai acontecer, a alegria de contar a história desaparece.

Martin trabalha à tarde ou à noite, frequentemente em um computador antigo usando WordStar 4.0 — uma configuração que elimina distrações completamente. Quando está inspirado, pode escrever até o amanhecer.

Sim, há o caminho do meio, o estilo híbrido. Quando se estrutura os grandes marcos, mas deixa espaço para explorar. O esboço funciona como uma direção, não como uma prisão. Navega entre duas técnicas: planejamento + descoberta

Qual Método é Melhor?

A verdade é que não existe uma resposta única. O processo de Sanderson mostra como a estrutura pode criar desfechos épicos e gratificantes. O processo de Martin prova que a descoberta pode levar a mundos repletos de surpresas autênticas.

O verdadeiro vencedor é aquele que te leva até "O Fim".

Muitos escritores profissionais são híbridos, combinando elementos de ambas as abordagens. O importante é encontrar o que funciona para você, o que mantém sua criatividade fluindo e, acima de tudo, o que te ajuda a contar a história que você quer contar.