Controvérsia Clark-Van Til no Presbiterianismo Norte-Americano do Século XX
O estudo desse debate é essencial para qualquer um que deseje compreender não apenas o passado do presbiterianismo, mas o futuro da defesa da fé
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Raniere Menezes
1/27/20262 min read


O Grande Debate que Dividiu o Presbiterianismo: Clark vs. Van Til
Dois titãs intelectuais do cristianismo reformado travando uma batalha filosófica tão intensa que dividiu denominações inteiras. Não estamos falando de heresias óbvias ou escândalos morais, mas de algo aparentemente simples: como exatamente conhecemos a Deus?
A Controvérsia que Abalou Westminster
Na década de 1940, a Orthodox Presbyterian Church (OPC) tornou-se palco de um dos debates teológicos mais sofisticados do século XX. De um lado, Gordon H. Clark (1902-1985), filósofo rigoroso formado pela Universidade da Pensilvânia. Do outro, Cornelius Van Til (1895-1987), apologeta holandês que moldou gerações no Westminster Theological Seminary.
A questão? Se Deus diz que "2+2=4", e nós sabemos que "2+2=4", estamos conhecendo exatamente a mesma verdade que Deus conhece, ou apenas uma versão inferior e analógica?
Duas Visões, Um Abismo
Clark defendia: O conhecimento é proposicional e unívoco. Se conhecemos algo verdadeiro, conhecemos o mesmo que Deus conhece sobre aquilo — embora Ele conheça infinitamente mais. A lógica não é criada; ela é o próprio pensamento de Deus. João 1:1 não diz apenas "o Verbo era Deus", mas literalmente "a Lógica era Deus".
Van Til argumentava: Existe uma diferença qualitativa intransponível entre o conhecimento divino (arquétipo) e o humano (ectípico). Não há "ponto de coincidência" entre nossa mente e a de Deus. Afirmar o contrário é divinizar o intelecto humano e ignorar a transcendência divina.
O Preço do Conflito
O que começou como debate acadêmico explodiu em crise institucional. Em 1944, quando Clark foi ordenado, professores de Westminster apresentaram uma queixa formal — The Complaint — acusando-o de racionalismo herético. Após anos de disputas sinodais, Clark deixou a OPC em 1948, levando consigo cerca de um terço dos membros da denominação.
Van Til venceu institucionalmente, moldando a apologética reformada nas décadas seguintes. Mas Clark deixou um legado filosófico que desafia até hoje: pode uma fé racional ser irracional na raiz?
Por Que Isso Importa Hoje?
Este debate não é arqueologia teológica. Ele toca questões vivas:
Como responder ao pós-modernismo que nega a verdade objetiva?
A revelação bíblica é clara ou inevitavelmente misteriosa?
Fé e razão se complementam ou competem?
Figuras contemporâneas como John Frame, Greg Bahnsen e James Anderson navegaram nestas águas, buscando sínteses que honrem tanto a clareza lógica quanto a transcendência divina.
Este artigo apenas arranha a superfície de uma controvérsia que envolve epistemologia, ontologia, história eclesiástica e filosofia da linguagem. Para uma introdução:
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