Curiosidades sobre Duna e Frank Herbert
Mas o que torna Duna tão especial vai muito além de vermes gigantes e planetas desérticos. A seguir, reunimos curiosidades sobre o livro e sobre o autor que ajudam a entender por que essa obra continua tão relevante décadas depois.
ESCRITA CRIATIVA
Raniere Menezes
1/13/20264 min read


Poucos livros de ficção científica alcançaram o status de Duna, de Frank Herbert. Publicado em 1965, o romance se tornou o livro mais vendido do gênero em todos os tempos, com cerca de 20 milhões de cópias apenas do primeiro volume. Mais do que um sucesso comercial, Duna moldou a cultura pop e influenciou obras como Star Wars, Game of Thrones e inúmeras outras histórias épicas.
Mas o que torna Duna tão especial vai muito além de vermes gigantes e planetas desérticos. A seguir, reunimos curiosidades sobre o livro e sobre o autor que ajudam a entender por que essa obra continua tão relevante décadas depois.
Um livro que quase não foi publicado
Antes de se tornar um clássico, Duna enfrentou um caminho difícil. O manuscrito foi rejeitado por mais de 20 editoras. Muitos editores achavam a história longa demais e complexa para o público da época, que estava acostumado a ficção científica mais curta e direta. A ironia é que o livro acabou sendo publicado pela Chilton Books, uma pequena editora conhecida principalmente por manuais de carros e guias de conserto.
As dunas de Arrakis nasceram nos Estados Unidos
A ideia central de Duna surgiu quando Frank Herbert pesquisava um artigo sobre o uso de gramíneas europeias para conter dunas movediças em Florence, no estado do Oregon. O texto nunca foi publicado, mas o contato com aquele ecossistema frágil despertou nele um fascínio duradouro por desertos, ecologia e pela relação entre humanos e o ambiente. Arrakis nasceu daí.
A especiaria e estados alterados de consciência
Herbert admitiu que a melange, a famosa especiaria de Duna, foi inspirada no ciclo de vida dos cogumelos e também em experiências com cogumelos psicodélicos. Assim como a especiaria, essas substâncias podem alterar a percepção, expandir a consciência e causar dependência. No livro, a melange se torna um recurso tão valioso quanto o petróleo no mundo real.
Um universo sem computadores
No mundo de Duna, computadores e inteligências artificiais são proibidos. Isso acontece por causa de uma rebelião passada contra “máquinas pensantes”, conhecida como Jihad Butleriana. No lugar das máquinas, surgem os Mentats, humanos treinados para realizar cálculos e análises complexas. A ideia funciona como uma crítica direta à dependência excessiva da tecnologia.
Influências culturais bem reais
O universo de Duna é uma mistura rica de referências. Os Fremen têm inspiração clara em povos beduínos e em culturas indígenas. A Bene Gesserit lembra ordens religiosas e incorpora elementos do zen-budismo. Herbert também bebeu de fontes como o islamismo, o sufismo, a Bíblia e figuras históricas como Lawrence da Arábia, criando uma mitologia que soa antiga e familiar ao mesmo tempo.
Quando o Iron Maiden encontrou Duna
Em 1983, o Iron Maiden lançou a música “To Tame a Land”, inspirada diretamente no livro. A banda queria usar o título “Dune”, mas Frank Herbert não autorizou, dizendo que não gostava de bandas de rock pesado. Curiosamente, em alguns países, como Itália e Canadá, a música acabou sendo lançada com o nome “Dune” mesmo assim.
Um marco da ficção científica ecológica
Duna é frequentemente citado como o primeiro grande romance ecológico da ficção científica. Herbert ajudou a popularizar o termo “ecologia” na literatura e construiu uma história inteira em torno do impacto humano no ambiente. Arrakis funciona como uma metáfora poderosa para mudanças climáticas, escassez de recursos e exploração desenfreada.
Um livro que parece um documento histórico
Cada capítulo de Duna começa com uma epígrafe atribuída à Princesa Irulan, uma personagem que escreve sobre os eventos muito tempo depois deles acontecerem. Esse recurso dá ao livro um tom quase acadêmico e reforça a ideia de que estamos lendo a história de uma civilização inteira.
Curiosidades sobre Frank Herbert
Frank Herbert nasceu em 1920, em Tacoma, Washington. Antes de se tornar escritor, trabalhou como jornalista, fotógrafo e editor. Chegou a mentir sobre a própria idade para conseguir o primeiro emprego em jornal e serviu brevemente na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial como fotógrafo.
Era um leitor voraz e tinha interesses profundos em psicologia, filosofia oriental, linguística, ecologia e política. Tudo isso aparece, de alguma forma, nas camadas de Duna. Herbert pesquisava intensamente e consultava especialistas para dar verossimilhança ao seu universo.
Apesar do sucesso crítico de Duna, que venceu os prêmios Nebula e Hugo, Herbert demorou para viver exclusivamente da escrita. Só se tornou escritor em tempo integral no início dos anos 1970. Ele planejava um sétimo livro da série, mas morreu em 1986, vítima de câncer pancreático, antes de concluí-lo. Anos depois, seu filho Brian Herbert continuou a saga usando anotações deixadas pelo pai.
Politicamente, Herbert era cético em relação a governos e líderes carismáticos. Em Duna, ele questiona o messianismo e mostra como figuras vistas como salvadoras podem levar sociedades inteiras ao fanatismo, um tema que se torna ainda mais forte nos livros seguintes.
Duna não é apenas uma aventura espacial. É uma reflexão profunda sobre poder, religião, ecologia e o comportamento humano. Talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos anos, a história continue tão atual.
E você: já leu o livro ou conheceu Duna pelos filmes recentes?
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