PESQUISAS ELEITORAIS E DETERMINISMO BÍBLICO
Todo ano eleitoral algo se repete. Os institutos divulgam seus números, os telejornais montam gráficos coloridos, os analistas discutem margens de erro e os candidatos comemoram ou lamentam a cada nova rodada.
POLÍTICA E RELIGIÃO
Raniere Menezes
10/23/20266 min read


PESQUISAS ELEITORAIS E DETERMINISMO BÍBLICO
Entre o que o homem pode saber e o que Deus já decretou, há um abismo que as planilhas não atravessam.
Todo ano eleitoral algo se repete. Os institutos divulgam seus números, os telejornais montam gráficos coloridos, os analistas discutem margens de erro e os candidatos comemoram ou lamentam a cada nova rodada.
Quando as pesquisas se acumulam, de dez, vinte, cinquenta, cresce a sensação de que o resultado já está desenhado e de que bastaria somar os dados para enxergar o futuro.
Afinal, quanto valem 50 pesquisas estatísticas numa eleição? Qual o valor pragmático e utilitário de pesquisas? É possível confiar?
Para responder, me apoio no Determinismo Divino Absoluto ou Determinismo Bíblico. Essa perspectiva exige algo que o debate público costuma ignorar: separar, sem concessões, duas dimensões. A primeira é a epistemológica ou empírica, ou seja, o que o homem é capaz de conhecer a partir desses dados. A segunda é a metafísica ou ontológica, ou seja, a realidade fundamental das causas e do decreto soberano de Deus. Quem mistura as duas acaba confuso sobre ambas.
PRIMEIRA PARTE: O VALOR EMPÍRICO
No campo empírico e científico, o valor das 50 pesquisas se divide em dois: a invalidade lógica e a utilidade pragmática.
Valor epistemológico: zero
Do ponto de vista do conhecimento, as pesquisas valem zero. A afirmação soa exagerada, mas decorre de um problema que a lógica formal conhece bem: a falácia da indução.
Toda pesquisa eleitoral coleta dados particulares, uma amostra finita de eleitores entrevistados, para inferir uma conclusão universal ou futura, o resultado da eleição. Só que a indução, em lógica formal, é sempre uma falácia. A conclusão contém informação que as premissas não autorizam. Isso não é detalhe técnico. É a estrutura do método.
Há ainda um segundo problema, a falácia de afirmar o consequente. A modelagem estatística e a ciência empírica operam mais ou menos assim: "se a tendência X estiver correta, a amostra responderá Y; a amostra respondeu Y; logo, a tendência X é verdadeira". O raciocínio parece sólido, mas não é. Inúmeras outras variáveis e motivos podem produzir exatamente a mesma resposta aparente. Que a amostra tenha dito Y não prova que X seja a causa.
Alguém poderia objetar: mas são 50 pesquisas, não uma. Isso muda alguma coisa? Não. Aumentar as observações particulares de 1 para 50, ou para 50 mil, não altera a natureza da indução. É a mesma falácia repetida mais vezes. A crítica da filosofia da ciência, que cita Karl Popper nesse ponto, é que a probabilidade lógica de qualquer hipótese indutiva alcançar a certeza sobre a realidade objetiva é, matematicamente, igual a zero.
E ainda existe a falibilidade humana. Pesquisas dependem da percepção sensorial e do relato de terceiros. As pessoas mentem, mudam de ideia, respondem ao acaso, são induzidas pela formulação da pergunta. Não há método empírico infalível para confirmar que o relato individual corresponde ao que de fato acontecerá nas urnas. Por isso a estatística eleitoral permanece no nível da opinião e da conjectura incerta. Pode ser interessante, mas não é conhecimento.
Valor pragmático e tático: puramente operacional
Isso significa que as pesquisas são inúteis? Não, desde que se entenda qual é a utilidade delas. Embora não produzam conhecimento sobre a verdade do futuro, têm serventia prática para marqueteiros políticos e partidos. Servem para redistribuir recursos de campanha, ajustar slogans e concentrar a propaganda onde a conveniência humana exigir. São ferramentas de ação humana, especialmente de manipulação.
Funcionam também, com frequência, como instrumentos psicológicos de persuasão coletiva. Uma pesquisa divulgada no momento certo pode criar profecias autorrealizáveis ou desanimar a base adversária. Quando isso acontece, ela opera pela eficácia prática, não pela verdade racional. Seu poder é o de influenciar comportamentos, não o de revelar o que vai ocorrer.
SEGUNDA PARTE: OS POSSÍVEIS VALORES METAFÍSICOS
O empirista acredita que o resultado de uma eleição é determinado pelo "livre-arbítrio" dos cidadãos e que as pesquisas conseguem antecipá-lo. A metafísica bíblica descreve um quadro totalmente diferente.
Causalidade real versus causa aparente
No nível metafísico, as pesquisas têm poder causal zero. Números, gráficos e intenções de voto não possuem nenhum poder intrínseco de produzir a vitória ou a derrota de um candidato. As chamadas "causas secundárias" e as leis estatísticas são apenas descrições relativas de ocasiões, e não forças que operem por si mesmas. É a visão conhecida como ocasionalismo.
Então quem produz o resultado? A Escritura aponta Deus como a causa imediata dos pensamentos e dos votos. Segundo essa visão, os eleitores não possuem livre-arbítrio em relação ao Criador. Deus exerce controle exaustivo e imediato sobre a mente de cada indivíduo, determinando diretamente todas as suas inclinações, preferências e decisões, inclusive o próprio ato de votar.
Provérbios 21:1: "Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; este o inclina para onde quer."
Efésios 1:11: Deus é Aquele "que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade".
Se o coração de um rei está na mão do Senhor como um curso d'água que Ele conduz, e se Deus faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, então o coração do eleitor também não escapa. A pesquisa mede o que está sendo conduzido, mas não conduz nada.
O cumprimento do decreto eterno e imutável
O resultado, portanto, não está em aberto. O vencedor já está predeterminado. Antes da fundação do mundo, Deus emitiu um decreto eterno e exaustivo que fixa com precisão absoluta cada evento da história humana: quem vencerá a eleição, a contagem exata dos votos e até a existência de cada uma das centenas de pesquisas.
Isso não torna as pesquisas, as campanhas e os debates irrelevantes no sentido de "não existirem". Existem, e existem porque foram decretados. Os meios e os fins são decretados juntos. As pesquisas eleitorais, as campanhas e as discussões públicas não são fatores autônomos que concorrem com Deus. São os próprios meios providenciais que Ele planejou e controla ativamente para conduzir a história ao desfecho predeterminado.
O sentido teleológico: a execução da justiça ou do juízo divino
Resta a pergunta sobre o propósito. Se Deus decreta o resultado, para que o decreta? A Bíblia é explícita quanto ao fato de ser Deus quem estabelece e remove governantes.
Daniel 2:21: Deus "muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece".
Daniel 4:17 e 35: "o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer".
O valor metafísico do resultado eleitoral repousa, então, no propósito soberano de Deus para com uma nação. Esse propósito pode tomar duas direções.
Pode ser ordenado para a preservação externa da sociedade e para a conveniência da expansão do Evangelho por meio dos Seus eleitos. Nesse caso, o resultado funciona como instrumento de bênção.
Ou pode ser um juízo ativo de cegueira e endurecimento, entregando um povo réprobo a governantes ímpios como punição e como exibição da santa ira de Deus. Aqui o texto de referência é Romanos 9:22, que fala de Deus querendo "mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder" e suportando "vasos de ira preparados para a perdição".
Para quem acredita na Soberania Exaustiva de Deus, esse conhecimento deve remover toda ansiedade e ao mesmo tempo confiar na condução dos governantes, seja para bênçãos ou juízos. O foco é no Reino de cristo, em qualquer governo, época ou geração.
SÍNTESE
Quanto valem 50 pesquisas eleitorais?
Em termos empíricos, valor epistemológico zero. São falácias indutivas, incapazes de gerar certeza ou conhecimento verdadeiro. Sua serventia é pragmática: servem como ferramentas de manipulação humana, de redistribuição de recursos e de construção de narrativas.
Em termos metafísicos, são eventos subordinados, sem causalidade própria. O resultado final não nasce de nenhuma curva estatística. É rigorosamente fixado e executado pelo decreto soberano e pelo controle imediato de Deus sobre o coração dos homens.
Na próxima vez que alguém lhe mostrar um gráfico como se fosse uma janela para o futuro, lembre-se de que o gráfico não enxerga o futuro. Quem o decretou é quem o governa.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS CITADAS
- Provérbios 21:1
- Daniel 2:21
- Daniel 4:17, 35
- Romanos 9:22
- Efésios 1:11
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