Por Que Alguns Cristãos Não Celebram o Natal: Uma Perspectiva Reformada
Reflexões a partir dos escritos de Brian Schwertley
REFORMA PROTESTANTE
Raniere Menezes
12/24/20254 min read


Pode parecer chocante para muitos, mas existe uma tradição cristã que não celebra o Natal. Não por falta de amor a Cristo, mas justamente pelo contrário: por um zelo pelo culto e por fidelidade às Escrituras.
O Princípio Regulador do Culto
No centro dessa posição está o Princípio Regulador do Culto, amplamente defendido pelos reformadores. Esse princípio afirma que devemos adorar a Deus apenas da maneira que Ele autorizou nas Escrituras. A implicação é clara: quem deseja celebrar o Natal precisa demonstrar, biblicamente, que Deus ordenou essa comemoração.
E aqui está o problema: essa demonstração é impossível. A Bíblia simplesmente não menciona a data do nascimento de Cristo, muito menos ordena sua celebração.
As Raízes Pagãs
A data de 25 de dezembro e praticamente todos os costumes natalinos têm origem na adoração pagã. A igreja primitiva não celebrou o Natal. Durante os primeiros três séculos do cristianismo, essa data não existia no calendário cristão. Por volta de 245 d.C., Orígenes até mesmo repudiou a ideia de celebrar o nascimento de Cristo, comparando-a às celebrações dos faraós.
O Natal foi adotado pela Igreja de Roma não por obediência bíblica, mas como estratégia missionária para facilitar a conversão de povos pagãos. Foi uma concessão, uma adaptação.
A Parafernália Idolátrica
Muitos argumentam que as práticas pagãs perderam seu significado original. "Não adoramos a árvore de Natal", dizem. "São apenas tradições inofensivas."
Mas esse raciocínio ignora completamente o ensino bíblico sobre idolatria. Deus não nos instrui a "cristianizar" festividades pagãs. Ele ordena que as eliminemos completamente. A Escritura é clara: devemos evitar qualquer contato com monumentos e parafernália do paganismo.
O fato de você não se ofender com a árvore ou escolha de uma data pagã não muda nada. Deus não autoriza. E isso deveria ser suficiente.
O Problema Católico Romano
O Natal é o dia santo mais importante do catolicismo romano. Quando protestantes que afirmam crer apenas na Bíblia observam esse dia católico sem qualquer mandamento escriturístico, eles revelam uma contradição alarmante. Como podemos criticar o catolicismo por suas tradições extra-bíblicas e simultaneamente abraçar sua maior celebração?
Os reformadores corajosamente rejeitaram.
Negligenciando o Dia do Senhor
Deus foi generoso ao nos dar 52 dias santos por ano: os domingos. Quando adicionamos outros dias como Natal e Páscoa, inevitavelmente diminuímos a importância do dia do Senhor. As pessoas passam dezembro inteiro preparando o Natal, mas tratam o domingo comum com indiferença.
Isso não deveria nos fazer refletir?
Uma Mentira Religiosa
O cristianismo é a religião da verdade. Deus não pode mentir. Jesus é a verdade. O Espírito Santo é o Espírito da verdade. Como então podemos defender uma celebração fundamentada em mentiras?
Ok, o nome “mentira” é muito forte e agressivo? É uma data falsa.
A data é falsa. Jesus não nasceu em 25 de dezembro. A narrativa está repleta de mitologia pagã e papista: Papai Noel, árvores decoradas, renas voadoras. Se mentimos sobre o nascimento de Cristo e fazemos vista grossa para a mitologia, por que o mundo deveria acreditar em nós quando falamos sobre sua ressurreição?
O Mundo Ama o Natal
Todos amam o Natal: ateus, idólatras, incrédulos, pessoas ímpias de todos os tipos. Por quê? Porque não é bíblico. Porque não procede de Deus. O mundo odeia o dia do Senhor, odeia a Cristo glorificado, mas ama um bebezinho inofensivo numa manjedoura.
Um Jesus de plástico na decoração não ameaça ninguém. Mas o verdadeiro Jesus, o Rei dos reis que se assenta à destra do Pai, o mundo não suporta. Quando a igreja tem algo em comum com o mundo pagão em questões de adoração, ela se coloca sob o mesmo jugo que os incrédulos.
A História Protestante
Houve um tempo em que presbiterianos e congregacionais disciplinavam membros por celebrar o Natal. Para os calvinistas da Reforma, a observância desse dia foi impensável durante séculos. Agora, se você não celebra o Natal, mesmo irmãos reformados podem achar você fanático.
Como isso aconteceu? É simples: primeiro, você mente. Ensina que é o aniversário de Cristo. Poucos verificarão os fatos. Depois, gradualmente, a tradição se torna mais importante que a verdade.
Um Chamado ao Discernimento
Pastores e presbíteros que autorizam celebrações especiais de Natal excedem sua autoridade. Eles agem como papas, introduzindo invenções humanas na igreja. Recebem autoridade de Deus para reger segundo Sua Palavra, mas procedem por conta própria quando instituem práticas sem garantia escriturística.
O evangelicalismo moderno está em declínio precisamente porque pragmatismo e tradição têm precedência sobre integridade doutrinária. O resultado é uma igreja morna.
Uma Questão de Consciência
Esta não é uma posição fácil ou popular.
Os apóstolos ensinaram todo o conselho de Deus, o que não incluía o Natal. Para eles, o verdadeiro significado do Natal seria reconhecer que é uma invenção humana que deve ser rejeitada em favor da adoração bíblica.
Que possamos amar a Cristo o suficiente para adorá-Lo somente como Ele ordenou.
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