Uma análise sobre a escolha do Papa-Figo como objeto de escrita
Literatura de Assombração e Arqueologia Imaterial - Revisitando o Recife Velho e Preservando a Alma de Pernambuco em Suas Lendas Urbanas
ESCRITA CRIATIVAESCRITA CRIATIVA COM IAIA & ESCRITA
Raniere Menezes
4/11/20263 min read


Gilberto Freyre, embora reconhecido como sociólogo, escreveu "Assombrações do Recife Velho" com propósitos que cruzam as fronteiras da sociologia, da história e da literatura. Segundo Freyre, sua motivação não era apenas literária, mas também uma forma de documentar a "história íntima" da cidade e investigar as interações sociais entre vivos e mortos.
Desde a Pandemia de 2020 e o Advento da IA (popularizada), o momento GPT, tenho experimentado a evolução das IAs em diversas formas de textos. Desde estudos teológicos, ficção a contos e storytelling em geral. E alguns testes que tenho feito são do estilo sobrenatural de lendas urbanas. Tenho pelo menos mais duas lendas urbanas em processo de escrita.
Independentemente de experiências textuais com IA que estou fazendo, descobri no processo outras utilidades. Para Freyre há uma finalidade sociológica nas lendas urbanas e mitos folclóricos, e realmente isso é fato.
Ele argumenta que o sobrenatural é uma forma de convivência e socialidade. Uma sociologia do sobrenatural. Ele propõe que as crenças em assombrações influenciam o comportamento humano. Se uma pessoa acredita viver cercada por espíritos ou demônios, essa convicção altera suas atitudes e relações sociais, tornando-se um fato sociológico digno de estudo.
A interação com o passado é outro campo de estudo. O sobrenatural é descrito como uma "perseguição do presente pelo passado". Freyre observa como as hierarquias sociais e tensões históricas (como as da escravidão) se manifestam nas lendas, como no caso do Visconde de Suassuna, que apareceria pedindo perdão aos antigos escravos.
Outra finalidade é a Histórica. O livro "Assombrações do Recife Velho" funciona como uma arqueologia imaterial do Recife, preservando aspectos que a história oficial (das revoluções e grandes líderes) muitas vezes ignora. Seria dar relevo a história macro. E buscar resgatar a História íntima. Buscar registrar a "história íntima" da cidade e da província, focada no cotidiano e nas tradições orais.
A preservação do folclore é outro aspecto. Freyre acreditava que o folclore recifense fala mais sobre a identidade da cidade do que suas revoluções libertárias. Ao coletar relatos de moradores antigos e arquivos policiais, ele salva do esquecimento uma parte da memória coletiva urbana.
Por último, a finalidade literária e cultural. Embora use um rigor de pesquisa (consultando fontes orais e documentos), Freyre utiliza uma narrativa que valoriza o mistério e a atmosfera da cidade. Ele relaciona a presença de fantasmas à arquitetura característica do Recife — os sobrados esguios de influência nórdica e holandesa, que criam o cenário ideal para o sobrenatural.
Freyre defendia que o "mistério continua conosco" e que a literatura de assombração é uma forma de resistir ao "simplismo cientificista" que tenta reduzir todas as experiências humanas ao ceticismo. Escrever sobre fantasmas era uma maneira de entender a alma da sociedade pernambucana, onde o passado se recusa a morrer e continua a interagir com os vivos através do mito e da memória.
Quando escrevi sobre o “Papa Figo”, uma releitura da lenda, tentei preservar além do mito, os aspectos imaginários urbanos, arquitetônicos, históricos, psicológicos (medo e controle social), culturais etc, de Recife e Pernambuco.
E nessa história específica do “Papa Figo” ainda destaco dois aspectos da teologia cristã, o primeiro é a natureza do pecado e a outro é algo que pertence a escatologia, o desejo de imortalidade.
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